Nenhuma Flor

Verdades, Mentiras e Afins



29.3.04

[ inquietações filosóficas ]

"Um pardal, cansado da sua vida rotineira, resolveu sair voando pelo mundo em busca de aventuras. Vôou até uma região gelada e, não podendo mais voar, caiu no chão. Quando estava quase morrendo congelado, uma vaca o viu e cagou em cima dele. A merda quente o salvou. Sentindo-se muito bem, começou a cantar! Um gato, ouvindo esse canto, seguiu-o, tirou o pardal da merda e o comeu.

Conclusões:

Nem sempre quem caga em você é seu inimigo.
Nem sempre aquele que o tira da merda é seu amigo.
Desde que se sinta confortável, mesmo estando na merda, fique de bico fechado.
Quem tá na merda não canta!"

Planta uma rosa:

postado por: MARIANA TAMAS 12:02


26.3.04



Planta uma rosa:

postado por: MARIANA TAMAS 15:28


8.3.04

Escrevi isso dias depois dos acontecimentos relatados. Reli hoje e tive vontade - de novo - que você lesse. Quando esse sentimento te largar, a solidão em meio à multidão, o meu colo seu. Seu o meu riso mais alegre, o meu olhar mais verdadeiro e a minha vontade de pra sempre.

O bar era o mesmo de sempre. As pessoas também. Os amigos de sempre, os conhecidos de sempre, na sinuca de sempre. O sentimento é que nunca tinha sido. Se olharam e se cumprimentaram como se não pudessem ter se encontrado ali, como se não fosse óbvio que um dia se encontrariam ali. Ela chamou e ele rapidinho foi pra mesa dela. Sentou bem do lado, bem pertinho. As pernas se roçaram e de vez em quando uma mão boba passeava pela coxa dela. Ruim ela não achava. Só estranho. Um estranhamento que durante muito tempo foi o sentimento mais fiel.

Dançar no meio do bar ao som da música do bar vizinho também foi estranho. Não mais do que dançar na boate gay escolhida pelas amigas, lá pras tantas da madrugada. Mas o que estava por vir seria ainda mais esquisito, sem deixar de ser bom. Um abraço de não mais largar, um beijo de não mais acontecer. E na mesma hora, a vontade de ir embora, de correr dali pra bem longe. Pra não precisar fazer as perguntas que a cabeça teimava em pensar. Pra não sentir a culpa que já começava a se instalar.

Mas não foi nada disso que fizeram. Como se combinado, mataram o resto dos desejos que teimaram em despertar naquela noite. Fizeram tudo que podiam fazer. E dormiram e acordaram e dormiram. E se despediram sabendo que em breve estariam juntos de novo. E estiveram.

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postado por: MARIANA TAMAS 09:28


1.3.04

Eram alguns. Se conheciam há muitos e nem sempre se encontravam. Vez por outra, um aceno na rua, um telefonema rápido e agora, nesses tempos de internet, duas ou três linhas num e-mail. Mas apesar dos atropelos da vida de cada um, havia um momento quando tudo virava passado e só eles importavam.

A festa acontecia em meados de novembro. E desde o ano em que fora instituída, nunca deixara de acontecer. A casa, com aquele aspecto abandonado para quem chagava, se enchia de calor nessa data. Tudo tinha sido cuidadosamente escolhido: as bebidas, o cardápio, as fitas - o anfitrião ainda era do tempo que boa festa se fazia com cassetes e pisca-pisca na parede. E eles iam chegando. Cada um na sua vez, tomavam seus postos e davam inicio à conversa. Colocar as novidades do ano naquelas horas era quase que obrigatório. Se bem que depois da terceira dose de uísque (ou da quinta cerveja), a reunião descambava e os assuntos preferidos eram os peitos das mulheres presentes ou como a "filhinha" de um deles tinha crescido.

Ninguém nunca de opôs ao lugar da festa, nem à data. Na verdade, ela era tratada quase como um ritual sagrado, por isso mesmo, nunca se ousou mudar o lugar ou a época. Assim, como em todos os anos, os amigos não deixavam de comparecer. As esposas - alguns casamentos resistiam ao passar dos anos, aos cabelos brancos e às barrigas - nem discutiam. Quando o convite chegava (e era um acontecimento a espera do convite!) podiam ter certeza que, naquele dia, dificilmente alguma coisa impediria o comparecimento à festa.

O melhor é que naqueles momentos eles eram incríveis. A cumplicidade era a maior já vista e as piadas tinham a graça de sempre. Juntavam-se nos cantos para não atrapalhar os que se arriscavam a balançar o corpo na pista improvisada, dançando tão mal quanto antes. Mas era só o relógio avançar, as novidades envelhecerem, a cerveja minguar (ou o uísque acabar) pro primeiro se despedir. Os outros iam por empuxo. Mais uma hora e não restava nenhum. Era o prenúncio de um novo ano.

Agora era a espera. Em outubro próximo o convite chegaria. Difícil era arrumar o que fazer enquanto isso. Não ligar para não demonstrar ansiedade e fingir que não havia nada ao se esbarrarem pela rua. Afinal, a vida era cheia de momentos, e aquele era só mais um, entre tantos outros.

Planta uma rosa:

postado por: MARIANA TAMAS 09:14




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